Esta edição crítica d’Os Lusíadas com coordenação de José Carlos Seabra Pereira e Maria Helena da Rocha Pereira, resgata uma dívida maior que as culturas em língua portuguesa e os Estudos Literários desde há muito contraíram para com a obra e o legado de Luís de Camões.
A fixação do texto assenta na recensão e colação de todos os exemplares hoje conhecidos da edição princeps de 1572, bem como nos dados remanescentes da tradição manuscrita, demonstrando que as variantes Ee e E correspondem a diferentes estados de uma única edição, cada qual com valor ecdótico próprio.
Atenta às exigências do género épico e ao contexto linguístico quinhentista, esta edição respeita a historicidade da língua, valorizando tanto o programa humanista de relatinização como a persistência de usos tradicionais e orais, assim como variantes fonográficas e ritmos versificatórios. Evita ainda a modernização excessiva da pontuação, em consonância com a natureza poética do texto.
De carácter assumidamente instrutivo, inclui um vasto conjunto de notas retórico-literárias, mitológicas, históricas e filológicas, indispensáveis a uma leitura rigorosa e plenamente informada.
Luís Vaz de Camões (c. 1524–1580) foi o maior poeta do Renascimento português, célebre pela epopeia Os Lusíadas (1572), que imortalizou os descobrimentos. Soldado aventureiro, perdeu o olho direito em combate no Norte de África e viveu exilado na Índia e Macau. A sua vida atribulada e lírica amorosa marcam a sua escrita.