Dedicado à imagem impressa e à cultura visual, este segundo volume de A Idade do Papel apresenta uma visão de conjunto sobre aqueles que criavam, editavam, comercializavam e consumiam estampas, no período de «emergência de uma nova cultura visual do Iluminismo» no nosso país.
O estudo parte do ensino e da prática artística setecentista, observando depois os mecanismos de financiamento, distribuição e comércio de gravura, cartografando minuciosamente editores, distribuidores e comerciantes da estampa. Numa última parte, o autor conduz-nos pelo universo de consumo e usos da gravura, onde cabem a imagem avulsa e a edição ilustrada, bem como do funcionamento do mercado e das estratégias publicitárias. Um universo que é também o da literacia e da cultura visual, compreendendo o lugar da imagem em domínios como a pedagogia, o conhecimento científico, os lazeres ou mesmo as práticas interditas.
Uma abordagem interdisciplinar, que concilia metodologias de estudo da História e da História da Arte, da Comunicação e da Cultura Visual.
Este volume estabelece uma continuidade com o anterior através do título A Idade do Papel – uma «chancela unificadora», segundo as palavras do autor, que ganha especial relevância «em plena época de transição digital». (p.17) Um título que reproduz o comentário do físico setecentista Georg C. Lichtenberg para se referir à expansão da produção livreira e à multiplicação da imagem sobre papel a que assistiu no seu tempo. Depois da biografia do primeiro mestre de gravura da Impressão Régia, Joaquim Carneiro da Silva, que deu forma ao primeiro volume, A Imagem Impressa observa o período histórico entre Pombal e o primeiro Liberalismo como aquele que «melhor documenta, entre nós, a imagem equacionada pelo notável cientista germânico». (p.17)
Este estudo é um importante contributo para o conhecimento da história da cultura visual em Portugal, em particular dos usos quotidianos da imagem entre o Iluminismo e os alvores do Liberalismo. A vasta e rigorosa recolha documental e iconográfica desvenda os percursos da imagem impressa, da cultura popular à cultura erudita, dos lazeres ao ensino. Um trabalho com forte base empírica, com importante valor pedagógico e patrimonial. Inclui ainda índices remissivos.
Miguel Figueira de Faria é Professor Catedrático de História da Arte do Departamento de História, Artes e Humanidades da Universidade Autónoma de Lisboa (DHAH-UAL), Investigador do Instituto de História da Arte (IHA FCSH-UNL) e Diretor do Centro de Estudos de História Empresarial. É também sócio correspondente da Academia Nacional de Belas Artes. Entre as suas publicações, na área da História da Arte, incluem-se A Imagem Útil (2000), Machado de Castro – Estudos (2008) e Do Terreiro do Paço à Praça do Comércio (2012). Mantém como linhas de investigação a História do Ensino das Belas Artes, História do Livro e da Edição, privilegiando, igualmente, a multidisciplinaridade nos domínios de colaboração entre Arte e Ciência e História da Arte e das Ideias Políticas.
Ver na loja