Este volume da coleção Arte e Artistas reúne textos publicados por Ernesto de Sousa nas revistas O Século Ilustrado, Modas e Bordados, Vida Mundial e Opção entre 1974 e 1978.
«[Nestes textos] notam-se uma urgência e uma euforia que anseiam por poder fazer acontecer uma vanguarda finalmente, e absolutamente, a par de, e em comunhão com a liberdade recém-conquistada. Porém, está também presente um constante alerta para os facilitismos, os aproveitamentos da confusão pós-revolucionária e as persistências de uma conceção de arte que Ernesto não considerava compatível com a revolução. A urgência e a vigilância — palavra que Ernesto emprega mais do que uma vez — fazem-no regressar frequentemente a tópicos, citações e autores de referência, ou artistas que considera os melhores para exemplificar o que é isso de fazer uma vanguarda revolucionária, uma que possa reinaugurar a arte sob a forma de novas experiências coletivas.
Essa é uma das premissas fundamentais de Ernesto: a vanguarda enquanto possibilidade de uma criação e experiência coletivas. Não há outro modo, para ele, de conceber a vanguarda se não como uma prática profundamente implicada na transformação quotidiana do mundo.»
Excerto do texto de introdução de Mariana Pinto dos Santos
Ernesto de Sousa (1921 – 1988) foi um artista multidisciplinar português cuja obra se destacou pela defesa da experimentação e da liberdade criativa. A comunicação, enquanto prática teórica e instrumento de intervenção cultural, desempenhou um papel central no seu percurso, sobretudo no contexto pré e pós‑Revolução de 1974. Entre as décadas de 1940 e 1960, participou ativamente no neorrealismo, dedicou-se ao estudo da cultura popular e teve um papel pioneiro no movimento cineclubista em Portugal. A partir dos anos 1970, teve uma participação decisiva na afirmação de uma nova arte experimental de vanguarda, contribuindo criticamente e na organização de exposições que marcaram a época.