Paula Rego (1935-2022) foi uma das maiores artistas dos nossos tempos; contava histórias pintando e desenhava para contar histórias, sabendo as cores de cada palavra, de cada som, de cada sonho sonhado. Conhecia como ninguém as formas dos pensamentos, o traçado das memórias, o contorno das histórias que se abrigam, até, por vezes, dentro da História, com um agá tão maiúsculo que parece um portão alto, fechado, e que é preciso abrir, para respirar um bocadinho melhor no mundo. Pintar era o seu modo de «combater a injustiça» e de dar «uma face ao medo» que diluía no riso, sem meias tintas. Paula Rego morreu numa manhã de sol, em 2022, mas as suas pinturas são como as mágicas histórias da Xerazade das Mil e uma Noites: nunca morrem e nunca se calam. Na verdade, uma história só acaba se logo uma outra começa.
Este é o 26º volume da Coleção Grandes Vidas portuguesas, um projeto editorial desenvolvido com a Editora Pato Lógico.
Rita Taborda Duarte nasceu em Lisboa, 38 anos depois de Paula Rego. Gosta de brincar com as palavras. Por isso, além de poeta, é uma escritora infantil. Nunca foi capaz de fazer uma linha direita, nem sequer de desenhar com perfeição as letras com que escreve as suas histórias, os seus poemas, sequer cada palavra que tenta enfileirar na página. Por isso, desde sempre, o seu deslumbramento por Paula Rego, a pintora que desenrola as histórias que vivem escondidas no coração do medo, dando uma face e uma forma e uma cor à sua voz.
Gonçalo Duarte (Setúbal, 1990) trabalha maioritariamente com desenho e banda desenhada tendo publicado nacional e internacionalmente, com editores como a Chili com Carne, Kus e as Edições da Ruína, que fundou em 2021. Trabalha como editor de livros de artista e impressor de serigrafia, tendo impresso e editado trabalhos de artistas como Alexandre Estrela, Catarina Real, Gabinete Paratextual, Francisco Tropa, Constança Entrudo e Rudi Brito. Colabora regularmente com outros artistas e coletivos em projetos editoriais e expositivos, residências artísticas e exposições.