Daimon reúne trinta anos de poesia, «o lugar onde a linguagem se sonha, ganha consciência de si — uma arte da memória», nas palavras de Luís Quintais. A convocação do demónio socrático para título do presente livro coloca como ponto de partida da criação poética a confiança do poeta para lá de si mesmo: uma espécie de inspiração inabalável que no exercício da razão lhe resiste e se faz visão de que há o que não é visto nem dito e que, no entanto, se diz em palavras cantadas, as da poesia.
António Carlos Cortez Nasceu em Lisboa em 1976. É poeta, ensaísta, crítico literário e professor de literatura portuguesa e de clássicos da literatura. Publicou desde 1999 quinze livros de poesia e seis de ensaio, os últimos dos quais Para Ler Camões e O Fim da Educação, ambos em 2025, tendo este último vencido, já em 2026, o Prémio de Ensaio Jacinto Prado Coelho da Associação Portuguesa de Críticos Literários. É também autor do romance Um Dia Lusíada (2022) e do livro de contos Cenas Portuguesas (2024). O seu último livro foi Uma Estória de Os Lusíadas (2026), uma recriação da épica camoniana. Distinguido inúmeras vezes pela sua poesia, nomeadamente em 2011 com Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores para melhor livro de poesia, atribuído a Depois de Dezembro, em 2016 com o Prémio Teixeira de Pascoaes da Associação Portuguesa de Escritores, atribuído a A Dor Concreta, em 2020 com o Prémio de Poesia Ruy Belo da Câmara Municipal de Sintra e o Prémio António Gedeão da FENPROF, atribuídos a Jaguar, e em 2022 com o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho da Associação Portuguesa de Escritores, atribuído a Diamante.