Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros, viveu toda a sua modesta vida de empregado, em Lisboa. Vivia sozinho, num quarto alugado na Baixa, perto do escritório onde trabalhava, e dos escritórios onde trabalhava Fernando Pessoa, o seu criador.
Diz o poeta que conheceu Bernardo Soares numa pequena casa de pasto da qual era cliente. E foi precisamente nessa casa de pasto que Bernardo Soares revelou a Fernando Pessoa que era escritor e que lhe deu a ler o seu Livro do Desassossego.
Até há década de 1980, Bernardo Soares podia parecer uma figura menor, uma personagem incompleta, apenas uma interessante prosa de Fernando Pessoa. O Livro do Desassossego, publicado em 1982, em dois volumes, vem revelar um grande prosador, uma personalidade complexa e uma obra não-orgânica mas de grande fôlego.
Bernardo Soares é uma figura dotada de uma grande capacidade analítica, de uma híper lucidez. Há nele uma espécie de iluminismo ou de espírito geométrico que lhe consente a exploração minuciosa das zonas mais secretas da alma.
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