Conforme em geral se sabe, este romance escrito por um jovem com menos de 30 anos levou voltas consideráveis até culminar na forma amadurecida que hoje conhecemos. Em todo o caso, mesmo provindo do tempo de quem estava ainda à procura de um rumo, na literatura e na vida, O Crime do Padre Amaro de 1875 faz parte de um trajeto literário que haveria de produzir os frutos que revelaram, em Eça de Queirós, o nosso maior romancista. Só por isso, é pertinente disponibilizar de novo este texto.
A legitimidade desta publicação advém do facto de, tendo embora sido atribulada a serialização d’O Crime do Padre Amaro, na Revista Ocidental, ele trazer consigo componentes retóricos e temáticos que ilustram o modo de ser escritor deste jovem Eça. Textos da mesma época, como o conto «Singularidades de uma Rapariga Loura», ou até breves relatos aparecidos na Gazeta de Portugal (depois em Prosas Bárbaras e agora em Contos I, edição de Marie-Hélène Piwnik) antecipam esta prosa recheada de abundante adjetivação, de imagens imprevistas e de associações vocabulares aparentemente destituídas de lógica. Tudo isto e também personagens e ações que o tempo (um curto tempo), em subsequentes reescritas, ajudaria a refinar, a matizar e até a alterar substancialmente.
Em síntese: com razão, estudiosos da obra queirosiana têm dado atenção a este embrião do grande romance de 1880, já depois de nova versão, em 1876, ter sido anunciada pelo autor como «edição definitiva».
Este é o vigésimo quinto volume da Coleção Edição Crítica da Obra de Eça de Queirós.