Eurico, o Presbítero é o mais conhecido romance histórico do romantismo português e uma obra que, no seu tempo e mesmo depois dele, conheceu ampla recepção por parte do público. A história do presbítero Eurico passa-se no século VIII, quando se inicia a invasão da Península Ibérica pelos Árabes, num tempo de crise política e moral. Antes de se bater contra o invasor, Eurico vive um amor impossível com Hermengarda e configura, pela sua atitude de revolta, de heroísmo e de isolamento voluntário, o protótipo do herói romântico.
O romance de Alexandre Herculano que agora aparece pode ser considerado, a vários títulos, um clássico. Desde logo, pelo lugar que ocupa na nossa história literária, pela conformação da figura que o protagoniza e lhe dá título e pela recepção que conheceu no seu tempo, o Eurico o Presbítero marcou uma época. Mais: o seu autor fez-se modelo, que não podia ser (nem foi) ignorado pelos cultores do romance histórico em Portugal, um género que, do ponto de vista temático e formal, correspondeu muito bem aos gostos do público, em tempo de vigência do romantismo.
A série «Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa», publicada pela Imprensa Nacional, conta, até agora, com 12 títulos que confirmam o propósito que motivou esta coleção: reunir um conjunto de textos da literatura portuguesa, considerados, de acordo com aquilo que o título indica, como fundamentais. Mas não só isso. As obras que a integram incluem elementos adicionais para adequado enquadramento da leitura. Importa, ainda, acrescentar o seguinte: os títulos que aqui têm sido contemplados (e também os que virão depois deles) procuram, nalguns casos, colmatar lacunas existentes na oferta editorial de que dispomos ou facilitar o acesso a autores difíceis de encontrar, seja nas livrarias, seja até nas bibliotecas escolares. Por isso mesmo, a disponibilização desta coleção, por parte da editora, também em formato digital, acentua e aprofunda os intuitos que a inspiraram e inspiram.
Alexandre Herculano nasceu em Lisboa, a 28 de março de 1810. Estudou no Colégio dos Oratorianos e frequentou o 1.º ano da Academia da Marinha (1826). Em 1828, estudou «Diplomática» na Torre do Tombo e compôs as suas primeiras poesias. Conviveu com António Feliciano de Castilho e frequentou os salões da Marquesa de Alorna, que o iniciou no conhecimento dos românticos. Em 1831, emigrou para Inglaterra e, em seguida, para França; no ano seguinte, desembarcou no Mindelo com as tropas liberais e participou na subsequente guerra civil. No campo da poesia, Alexandre Herculano é autor de A Voz do Profeta (1836) e A Harpa do Crente (1838). Considerado o introdutor do romance histórico em Portugal e o seu mais destacado cultor, publicou O Bobo (1843), Eurico o Presbítero (1844), O Monge de Cister (1848) e Lendas e Narrativas (2 vols.; 1851). Em 1837, fundou e dirigiu a revista O Panorama. Tendo ocupado vários cargos públicos — entre os quais, o de bibliotecário-mor de Sua Majestade —, consagrou-se à investigação histórica. Em 1867, retira-se para Vale de Lobos, no Ribatejo, onde morre, a 13 de setembro de 1877.