Maria Isabel Barreno (1939-2016) é uma das escritoras mais ecléticas da literatura portuguesa contemporânea. Nascida em Lisboa, licenciou-se em Estudos Histórico-Filosóficos e começou a trabalhar no então Instituto de Investigação Industrial, onde publicou os seus primeiros estudos sobre as condições de trabalho. O processo a que foi sujeita por Novas Cartas Portuguesas, ao qual ficou indelevelmente ligada, intensificou uma dimensão ativista e cultural que acompanhou sempre a sua carreira literária.
Participou em diversas publicações periódicas, tendo chegado a diretora da edição portuguesa da revista Marie Claire; traduziu vários autores e é autora de inúmeros prefácios, e teve ainda uma intensa atividade cultural e cívica, coadunando magistralmente a divulgação cultural com a sua intervenção em defesa da igualdade de género e contra a discriminação. Passou temporadas em Londres e Nova Iorque, e viveu seis anos em Paris, onde exerceu o cargo de conselheira para a Cultura e a Educação da Embaixada portuguesa entre 1997 e 2003.
Autora de romances, contos, ensaios e alguns estudos fundamentais, produziu igualmente uma extensa obra plástica, desde tapeçarias a outros objetos. Interessou-se especialmente pela dimensão transdisciplinar da palavra, procurando inscrevê-la em diferentes formatos: realizou programas de televisão, colaborou no cinema e no teatro. A sua obra literária recebeu vários prémios, como o Prémio Literário Fernando Namora ou o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, entre outros. Foi condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente Jorge Sampaio. A 16 de setembro de 2016, a Assembleia da República emitiu um voto de pesar unânime como forma de recordar o legado cultural e cívico que a autora deixou.
Na coleção Biblioteca de Autores Portugueses, a Imprensa Nacional publica as suas obras completas:
Obras completas de Maria Isabel Barreno – Crónica do Tempo, O Senhor das Ilhas, Vozes do Vento (2025)