Os tipógrafos e o primeiro Partido Socialista Português
Os primeiros movimentos associativos do operariado gráfico português remontam à década de 1840. Com a criação da Fraternidade Operária, em 1872, a organização dos tipógrafos assumiu uma linha combativa, cuja primeira luta foi representada pela paralisação de quase todos os compositores do Jornal da Noite, então substituídos pelos funcionários da Imprensa Nacional.
Oficina de composição manual da Imprensa Nacional.
O episódio foi relatado pelo tipógrafo José Correia Nobre França (1838-1920) numa carta enviada a Friedrich Engels, em 17 de setembro do mesmo ano, na qual deu conta do «ato de resistência» e «bom exemplo de solidariedade dos compositores tipográficos». Nobre França era ele próprio compositor da Imprensa Nacional, onde exerceu também funções como revisor. Foi secretário da federação operária, dirigente da classe dos tipógrafos e um dos fundadores do Partido Socialista Português, criado em 1875, com o gravador da Casa da Moeda Azedo Gneco, cabendo a Nobre França a elaboração do programa do Partido.
Azedo Gneco e outros participantes num comício do operariado de Lisboa. «O primeiro de maio», Ilustração Portuguesa, n.º 64, 13 de maio de 1907, p.594.
Este primeiro movimento da década de 70 acabaria por fracassar e por ser reorganizado na década de 80, mas os seus elementos mais ativos enveredaram pela ação política.
*Adaptado de: QUEIROZ, Maria Inês; JOSÉ, Inês; FERREIRA, Diogo, Indústria, Arte e Letras. 250 Anos da Imprensa Nacional, Imprensa Nacional, Lisboa, 2019.