A representação filosófica sobre os saberes conduz a uma interrogação acerca da evidência, da certeza e da convicção («O fabrico da certeza»). Os saberes constroem-se na cidade, vivem-se nas instituições que a sociedade se dá («Os saberes e a cidade») e participam da incerteza das coisas do mundo («Áleas»), redescobrindo a sua dimensão conjetural no confronto com os riscos do presente («Medos»). Acentos percorre este trajeto, mostrando como os vários aspetos e situações do conhecimento se iluminam reciprocamente.
Que se trate do balanço voluntário de uma vida — ultrapassado há muito o «mezzo del cammin di nostra vita», uma vida que sabe aproximar-se do seu termo —, não é a menor das razões do carácter admirável deste livro e justifica a decisão de inaugurar com ele a publicação das Obras de Fernando Gil, pedindo ao mesmo tempo a comparência de O Hospital e a Lei Moral, um desenvolvimento sublime da «arte de morrer», cuja proximidade com Acentos é indesmentível.
Este é o primeiro volume da Coleção Obras de Fernando Gil.
Fernando Gil (n. 1937, Muecate, Moçambique – m. 2006, Paris) foi professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa, na École des Hautes Études en Sciences Sociales e professor visitante na Johns Hopkins University. Doutorou-se na Sorbonne em 1971. Colaborador da Encyclopédie Universalis e da Enciclopedia Einaudi, cuja direção integrou, seria depois o responsável pela versão portuguesa. Em 1993, foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa. Consultor do Presidente Mário Soares e, posteriormente, do Ministério da Ciência, teve papel de relevo na internacionalização dos centros de investigação em Portugal. Os seus livros, o primeiro dos quais, Aproximação Antropológica, escrito aos 24 anos, constituem um contributo maior para a filosofia.
Coordenadores da Coleção:
Maria Filomena Molder, doutora em Estética, é professora jubilada da Universidade Nova de Lisboa e membro do Instituto de Filosofia da Linguagem da Nova.
Adelino Cardoso, doutor em Filosofia Moderna, é investigador integrado do CHAM — Centro de Humanidades, Universidade Nova de Lisboa.
Diogo Pires Aurélio, doutor em Filosofia Moral e Política, é professor jubilado da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto.
Manuel Silvério Marques, médico hematologista do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, aposentado, doutor em Filosofia da Medicina.