Escritos há cinco séculos, os versos camonianos colocam dificuldades de vários tipos a quem deles se aproxima. São muitos os vocábulos que hoje se encontram afastados do léxico corrente, como são abundantes as referências histórico-culturais, mitológicas e outras. O mesmo sucede com as alusões a obras antigas e modernas. A este propósito, não falamos de menções fortuitas, mas sim de um diálogo constante e intencional, que condiciona o texto, tornando-o aparentemente complexo e distante. A presente publicação procura tornar mais viva a voz de Camões no nosso tempo, dando a resposta possível a essas limitações de compreensão e encontro.
Esta edição é de Marcia Arruda Franco e está inserida na Coleção Obras Anotadas de Luís de Camões, coordenada por José Augusto Cardoso Bernardes e Zulmira Santos .
Marcia Arruda Franco é professora de Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo, vice-diretora da Biblioteca Brasiliana Mindlin e investigadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De entre as suas publicações, maioritariamente dedicadas a autores portugueses do século xvi, destacam-se as seguintes: Sá de Miranda – Poeta do Século de Ouro (2005); Sá de Miranda – Um Poeta no Século XX (2001); a edição das Poesias de Francisco de Sá de Miranda (2011); Camões e Garcia de Orta – Em Goa e em Portugal (2019); Cartas em Prosa e Descrição do Hospital de Cupido e Vidas de Camões no Século XVII (ambas de 2024).