Acertar o passo com a poesia surrealista significa reconhecer a diferença de uma poesia que «não se quer mero exercício literário, mas aventura em que a vida se joga por inteiro», como a propósito de um poema de Mário Cesariny escreveu Fernando J. B. Martinho. Uma poesia do desespero, da revolta, da provocação, do irracional, do absurdo, do humor e da experimentação verbal, que procura na imaginação a sua força revolucionária. Uma poesia empenhada em «transformar o mundo» (Marx) e «mudar a vida» (Rimbaud) a partir da libertação do espírito, da reinvenção do real e da pesquisa dentro da linguagem até aos limites do possível.
A autora, Clara Crabbé Rocha, é professora catedrática especialista em literatura portuguesa e moderna e contemporânea, que se tem dedicado ao ensaio e muito particularmente ao ensaio sobre literatura autobiográfica, passando por Miguel Torga, António Nobre e Mário de Sá-Carneiro, entre outros, e é um nome de prestígio no meio universitário português. O Estado português reconheceu a relevância do seu trabalho, distinguindo-a com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Depois de outros prémios (como o Prémio de Ensaio do PEN Clube em 2003 e o Grande Prémio de Ensaio da APE em 2004), Clara Rocha recebeu o Prémio Jacinto do Prado Coelho 2016 pela sua obra O Essencial sobre Michel de Montaigne, publicada pela Imprensa nacional.
A coleção «O Essencial sobre…», da Imprensa nacional, foi inaugurada em 1980, por Vasco Graça-Moura, e tem o propósito de facultar a um público generalista, e por um valor muito acessível, trabalhos sobre diversos temas da cultura e literatura portuguesas, explicados de uma forma breve e simples.