Subscrição para apoio aos órfãos de vítimas da febre amarela.

  • Referência
    «Boletim das Associações», A Federação, n.º 19, de 6 de fevereiro de 1858, p. 2.
Assunto

Subscrição dos sócios da Caixa de Socorros da Imprensa Nacional para apoio aos órfãos de vítimas da epidemia de febre amarela.

Ficha

«Caixa de Socorros da Imprensa Nacional — Illmo e exmo sr. — O conselho administrativo da caixa de socorros da Imprensa Nacional, logo que em Lisboa se manifestou a febre amarela, preparou-se como lhe cumpria para resistir ao flagelo, habilitando-se a acudir com a prontidão necessária aos sócios que porventura fossem atacados. Graças porém às excelentes condições higiénicas deste vasto estabelecimento, à sua boa exposição e às judiciosas providências tomadas pela administração, a Imprensa Nacional de Lisboa sofreu muito pouco relativamente a outros estabelecimentos públicos, e a sua caixa de socorros pôde atravessar a tremenda crise sem grande abalo, dispensados estranhos auxílios. É a passa a tormenta, já mais alegres horizontes sorriem à nossa pátria, e todos os esforços devem agora dirigir-se a sarar as feridas que tão vivo sangram, causadas pelo cruel açoite. A este fim tendem os espantosos rasgos da caridade que as folhas periódicas constantemente estão registrando; e os sócios da caixa de socorros da Imprensa Nacional, desejando também dar uma demonstração de que são reconhecidos ao favor da Providência, à qual aprouve preservá-los, para assim dizer, no meio da geral conflagração, resolveram espontaneamente, para valer às infelizes vítimas da epidemia, quotizar-se em seus ténues vencimentos e salários. Este pensamento foi abraçado com fervor, e o conselho administrativo encarregado de dirigir a respetiva subscrição. Em resultado desta honrosa incumbência tomámos a liberdade de enviar a vossa ex.ª a quantia de 100$000 reis. Desejariam os empregados e operários da Imprensa Nacional, que aquela pequena quantia fosse entregue aos asilos onde vão ser recebidos e educados os filhos de tantos cidadãos beneméritos que sucumbiram ao flagelo; v. ex.ª todavia dará àquela soma o destino que julgar conveniente, na certeza de que todos os subscritores têm a mais plena confiança de que o que v. ex.ª determinar será o mais acertado e humanitário.
Deus guarde a v. ex.ª — Lisboa e sala das sessões do conselho administrativo da caixa de socorros da Imprensa Nacional, 7 de Janeiro de 1858 — Illmo e exmo sr. António Rodrigues Sampaio, digníssimo presidente do Centro Promotor dos Melhoramentos das classes laboriosas. — O presidente, Luiz Mascarenhas de Mattos e Lemos — o tesoureiro, Joaquim José das Neves — os vogais, José Carlos de Freitas Sampaio, Izidoro Sotero César, João Francisco Saraiva, Francisco António Correia Tavares d’Abranches, Benedito António da Silva — os secretários, Augusto César Pereira da Cunha, Francisco de Paula Rodrigues.»