A publicação agora apresentada, dedicada à opereta em 3 atos de Augusto Machado, Maria da Fonte, vem dar continuidade a este esforço de valorização e difusão do património lírico português, recuperando mais uma obra de relevo na sequência de um ambicioso projeto concebido e desenvolvido pela APARM, por intermédio do seu Laboratório de Ópera Portuguesa, em parceria com o OPART – Organismo de Produção Artística, E. P. E. e através do Teatro Nacional de São Carlos. A presente edição crítica teve por base as fontes documentais conservadas na Biblioteca Nacional de Portugal. A redução para canto e piano desta opereta de Augusto Machado é igualmente da responsabilidade do maestro João Paulo Santos.
A publicação de partituras pela Imprensa Nacional desempenha um papel fundamental na preservação e divulgação do património musical português. Muitas obras históricas subsistem apenas em manuscritos raros ou de difícil acesso; a sua edição crítica e rigorosa permite não só salvaguardá-las para o futuro, mas também disponibilizá-las a músicos, investigadores e instituições culturais.
Neste contexto, merece particular destaque a Coleção de Partituras do Património Lírico Português, que tem vindo a recuperar e a tornar acessíveis títulos fundamentais da produção musical nacional. Iniciada em parceria com o OPART – Organismo de Produção Artística, E. P. E., a coleção conta, neste volume inaugural da Série D, dedicada às obras cénicas em redução para canto e piano, com a colaboração da APARM – Academia Portuguesa de Artes Musicais, através do seu Laboratório de Ópera Portuguesa (LOP).
Augusto Machado (1845 – 1924) – os seus estudos musicais iniciais decorreram em Lisboa com Joaquim Casimiro, Emílio Daddi e João Guilherme Daddi. Seguiu mais tarde para uma primeira temporada em Paris em que estudou com Lavignac e Dannhauser mais tarde. Augusto Machado pertenceu ao círculo de Batalha Reis e Eça de Queiróz, acreditando-se que tenha servido de modelo a uma personagem no livro Os Maias, a do músico Vitorino Cruges. Foi coadministrador do Teatro Nacional de São Carlos, e desenvolveu intensa atividade ligada ao ensino, como diretor e professor de canto na Escola de Música do Conservatório Nacional. Morreu em 26 de março de 1924, em Lisboa.