A primeira coleção monográfica de arte contemporânea na esfera da arte bruta publicada em Portugal destaca e explora a individualidade e idiossincrasias dos artistas do coletivo Manicómio.
O nome da coleção, Alta para Ensaio, apropria-se, ironicamente, da noção dos internamentos psiquiátricos e da «alta» — o momento em que uma equipa médica delibera sobre a vida da pessoa e a sua aptidão para viver em sociedade.
«Olá, sou o Filipe Cerqueira, e sei muito sobre muitas coisas.» Entre a brincadeira e a afirmação, é assim que o artista nos convida a entrar no seu universo. E é precisamente nesse tom — direto, lúdico e sem filtros — que encontramos a chave para a sua obra
Este é o 3º volume da coleção «Alta para ensaio».
Profundamente autorreferencial, o trabalho de Filipe Cerqueira habita um imaginário povoado pelos cartoons da Hanna-Barbera, pelos heróis Looney Tunes e pelas figuras icónicas da rádio, do cinema e da televisão das décadas de 1930 a 1950. É neste cruzamento entre a memória pessoal e a cultura popular que o artista constrói um universo visual singular, onde o passado e o presente se encontram num diálogo inesperado. Visualmente, as suas obras distinguem-se pelo seu impacto visual e uma abordagem ousada, onde o estilo gráfico e caricatural e o uso de cores sólidas e vibrantes criam imagens de forte impacto visual. Essa potência estética alia-se a um contexto humorístico que, longe da superficialidade, funciona como veículo de crítica e observação do mundo. O seu percurso expositivo inclui a participação em mostras coletivas como a Outsider Art Fair, em Nova Iorque (2020), e a exposição Procissão: Louvar e Santificar, promovida pelo MANICÓMIO e patente no MAAT Central, em Lisboa (2024). Realizou exposições individuais na Galeria Abysmo (2016) e na Ordem dos Médicos, em Lisboa, no âmbito do ciclo Symposium da Loucura (2022). O tríptico Filipe, apresentado na coletiva Limiar da Trilogia (Fidelidade Arte, 2022), marcou a sua estreia no vídeo.
Filipe Cerqueira é artista residente na CERCICA de Cascais e também no MANICÓMIO, onde é representado desde 2019.