Os Músicos do Tejo estiveram ontem à conversa, na biblioteca da Imprensa Nacional, com o diretor de som Pierre Lavoix e o compositor Alexandre Delgado para apresentar a edição Guerras do Alecrim e Manjerona, de António José da Silva e António Teixeira, a histórica Ópera Jocosséria, que se representou no Teatro do Bairro Alto de Lisboa, no carnaval de 1737. Uma obra colaborativa e inédita, em que se publica pela primeira vez a versão integral de texto e música, com a reconstituição parcial da partitura para vozes masculinas, bem como a primeira gravação mundial da ópera, incluída nos três CDs que acompanham o livro.
A apresentação resultou numa conversa afetiva, e mesmo emotiva, em que se falou do património musical português e da importância de promover a literacia em música do nosso país, além dos desafios técnicos e artísticos que envolveram a gravação da ópera pel’Os Músicos do Tejo. Um encontro que, no final, envolveu Rui Cardoso Martins, autor do texto introdutório, recordando o que já deixara escrito como o «supremo paradoxo do grande dramaturgo setecentista português» António José da Silva, ao ser transformado pela Inquisição num alvo de perseguição e condenação à morte pela sua condição religiosa.
Na sessão, houve ainda espaço para momentos de usufruto de alguns excertos em vídeo da ópera apresentada no Centro Cultural de Belém, em 2021, bem como de audição de várias passagens musicais que fazem parte dos CDs insertos na edição.