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Raul Brandão, o aniversariante do dia

Publicado a 12 Mar, 2019 - 14:48
Catálogo Livros

 

Raul Brandão (1867-1930) nasceu a 12 de março de 1867 na Foz do Douro, Porto.

Era filho e neto de pescadores. Foi militar, jornalista e autor de uma influente obra literária, marcada pelo imaginário das atividades ligadas ao mar e pelas duras condições de vida dos pescadores.

Os anos de produção literária de Raul Brandão coincidem com um período bastante conturbado da história de Portugal: o Ultimatum Inglês, de 1891, o Regicídio, em 1908, a Proclamação da República, em 1910, a Grande Guerra de 1914 a 1918 e a pandemia da gripe pneumónica entre 1918-1919. Porém a sua escrita é predominantemente poética (sem nunca ter escrito poesia) e luminosa, sempre com a condição humana em pano de fundo.

Estreia-se em 1890 com Impressões e Paisagens, seguindo-se depois História de Um Palhaço, de 1896. De entre os muitos títulos que escreveu depois deste, e ao longo de mais de quatro décadas, destacam-se Húmus de 1917 — considerado a sua obra prima —, Os Pescadores, de 1923, As Ilhas Desconhecidas, de 1926 – considerado um dos melhores livros de viagens de todos os tempos na literatura portuguesa – e O Gebo e a Sombra (1923) – peça, aliás, adaptada ao cinema já no século XXI (em 2012) por Manoel de Oliveira.

Além de O Essencial sobre Raul Brandão, de autoria de António M. Machado Pires, a Imprensa Nacional dedica vários títulos a este escritor maior das letras portuguesas.

Cinzento e Dourado. Raul Brandão em Foco, nos 150 Anos do seu Nascimento

2017

Autor: Vasco Rosa

Prefácio de José Carlos Seabra Pereira

Cinzento e Dourado — Raul Brandão em Foco nos 150 Anos do Seu Nascimento é segundo o autor «(…) a continuação de A Pedra ainda Espera Dar Flor. Dispersos 1891‑1930 de Raul Brandão, que publiquei em fevereiro de 2013. Ali tratou-se de pesquisar, reunir e publicar textos do escritor que estavam perdidos em folhas de papel impresso, identificados uns, desconhecidos outros, e que nunca haviam sido lançados em livro, fosse pelo autor, fosse pelos seus póstumos editores. Aqui trata-se de ir mais além na identificação da sua receção literária, da juventude do escritor até hoje, trazendo também à luz do dia alguns quase-inéditos e outros documentos suscetíveis de nos darem uma perspetiva mais ampla, e quanto possível mais completa, da sua vida e obra.».

Raul Brandão – Do Texto à Cena

2007

Autor: Rita Martins

«Mais conhecido pela sua obra narrativa, a publicação do seu teatro reserva a Raul Brandão um lugar singular na dramaturgia portuguesa. Rompendo com os códigos realistas que dominam a cena em princípios do século xx, o autor cria espaços fantasmáticos onde projecta a cisão do eu em duplos e sombras. Habitado pela solidão e pelo grito, o teatro brandoniano é expressão da mundividência trágica de alguém que se vê «entre ruínas» — entre um passado que já não existe e um futuro sem alicerces. Através da análise de três encenações de O Gebo e a Sombra, procuram-se novos sentidos de um texto marcado pela crise ideológica, política e religiosa finissecular, questiona-se a sua actualidade e a sua capacidade para nos interpelar e inquietar.»

Vida e Obra de Raul Brandão

2006

Autor: Guilherme de Castilho

«Na relativamente abundante bibliografia sobre Raul Brandão, este livro de Guilherme de Castilho, publicado em 1979 e que agora conhece uma nova edição, representa um marco significativo, não só pelos relevantes elementos que trouxe para a biografia do genial autor de Húmus como pelo inteligente e compreensivo estudo crítico do conjunto da obra brandoniana, nos vários e complementares géneros por que se desenvolve, desde os seus textos iniciais no âmbito do jornalismo, marcados pelo ambiente espiritual ‘nefelibata’ finissecular, até às grandes obras novelísticas e teatrais de forte recorte angustiado e sombriamente metafísico, anunciador de muito do que seriam as preocupações e as atitudes filosóficas das décadas seguintes, que se projecta também na sua visão espectral da História e contrasta com o vital e luminoso impressionismo de Os Pescadores e de As Ilhas Desconhecidas.»

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