Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Santos, então vila do Brasil, em 1685, e faleceu em Toledo, aos 38 anos, quando protagonizava uma fuga das malhas punitivas do Tribunal do Santo Ofício. É comum afirmar-se que a sua obra se circunscreve à «Passarola», engenho aerostático que concebeu em 1709. Na verdade, estamos em presença de um autor polígrafo, que cultivou a poesia, a reflexão filosófica, a ciência, a oratória sacra, o ensaio histórico, a jurisprudência e a decifração de códigos secretos.
Apesar de ser o inventor dos balões, 74 anos antes dos irmãos Montgolfier, o seu espólio foi queimado pela Inquisição, que impôs igualmente a proibição, durante um século, de ser sequer nomeado. A presente obra traz à colação múltiplos inéditos, exumados da poeira dos arquivos nacionais e estrangeiros.
Faz-se, assim, justiça a um visionário, intelectual multímodo, humanista e arauto do porvir.
Dois imperativos presidiram à elaboração deste volume: reunir a obra de Bartolomeu de Gusmão e contribuir para demonstrar que, neste importante nome da cultura portuguesa, ao contrário do que as autoridades mais poderosas e os indivíduos movidos pelo preconceito e pela inveja afirmaram, convergiam o idealismo, a procura da transcendência, o visionarismo, a erudição, a criatividade e o espírito científico. É comum circunscrever-se o nome desta figura ao engenho aerostático por ela inventado. Porém, estamos em presença de um autor seminal: são da sua lavra textos de caráter histórico, literário, jurídico, científico e de oratória sacra.
Daniel Pires é licenciado em Filologia Germânica e doutorado em Cultura Portuguesa. Foi leitor de Português nas Universidades de Glasgow, Macau, Cantão e Goa e professor cooperante na República de São Tomé e Príncipe e na República Popular de Moçambique. Cofundador do Centro de Estudos Bocageanos, instituição que dirige desde 1999, é autor de diversas obras sobre Camilo Pessanha, Wenceslau de Moraes, Raul Proença, o Padre Malagrida e o Marquês de Pombal. Redigiu o Dicionário de Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX, o Dicionário de Imprensa do Antigo Regime (1701-1807) e o Dicionário Cronológico de Imprensa de Macau — Século XIX. Dedica particular atenção ao poeta Bocage, tendo publicado, com a chancela da Imprensa Nacional, a Obra Completa, em quatro volumes, A Imagem e o Verbo e Bocage ou o Elogio da Inquietude.
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