Guerras do Alecrim e Manjerona, é publicado pela primeira vez na sua versão integral de texto e música, pela Imprensa Nacional.
O que conhecíamos até hoje era apenas o texto desta ópera, mas, pela primeira vez, esta edição conta com 3 CDs da apresentação da ópera realizada em 2021 no Centro Cultural de Belém, pelos Músicos do Tejo.
Levada à cena pela primeira vez em 1737, Guerras do Alecrim e Manjerona, uma divertida “comédia de enganos” de António José da Silva, com música de António Teixeira, apresenta-nos uma sátira exemplar da sociedade portuguesa setecentista. Numa dupla intriga amorosa há fidalgos galantes, mas sem ética, aristocratas avarentos, exageros barrocos, críticas à justiça, à medicina e às rivalidades entre grupos carnavalescos.
Com este Livro-CD, o público tem a possibilidade de apreciar plenamente o génio criativo inscrito nesta obra maior do teatro português setecentista. A fruição desta obra pode ser feita seja lendo-a a partir do texto (em revisão cuidada a partir do fac-símile da edição de 1744), seja ouvindo o registo áudio. A gravação, com som de alta qualidade, inclui a integralidade das partes faladas, assim como todas as maravilhosas árias e conjuntos vocais que dela são parte integrante e essencial.
Nesta edição, contamos com os textos introdutórios de Marcos Magalhães e Rui Cardoso Martins.
António José da Silva
São João de Meriti (Brasil), 8 de maio de 1705 – Lisboa, 19 de outubro de 1739
Foi um escritor e dramaturgo luso-brasileiro, nascido no Brasil. Formado na Universidade de Coimbra, escreveu o conjunto da sua obra em Portugal entre 1725 e 1739. Apelidado “O Judeu”, foi torturado, esquartejado e queimado na fogueira pela Inquisição Portuguesa, num auto de fé. É hoje considerado um dos maiores dramaturgos portugueses de todos os tempos e o precursor da modinha.
Interessado pela dramaturgia, escreveu uma sátira que serviu de pretexto às autoridades para o prenderem, acusado de práticas judaizantes, em agosto de 1726. Foi torturado, tendo ficado parcialmente inválido durante algumas semanas, o que o impediu de assinar a sua “reconciliação” com a Igreja Católica, acabando por fazê-lo em grande auto-de-fé de 23 de outubro. Acabou por salvar a sua própria vida admitindo ter seguido práticas da Lei Mosaica.
Conhecido pela facilidade e verve cómica das suas sátiras, José da Silva fez muitos inimigos contra os quais o Conde de Ericeira o protegeu, mas depois da morte deste, o dramaturgo e escritor foi denunciado como suspeito de judaísmo à Inquisição. Foi preso novamente em 1737 e morreu no dia 19 de outubro de 1739 na fogueira às mãos da Inquisição, num auto de fé.
António Teixeira
Lisboa, 14 de maio de 1707 – Lisboa 1769
Nasceu e morreu em Lisboa. Estudou em Roma de 1714 a 1728, e no dia 11 de junho do mesmo ano foi eleito Capelão-cantor da Sé de Lisboa. Escreveu algumas cantatas festivas para membros da aristocracia e compôs música para pelo menos três Óperas de António José da Silva: Guerras do Alecrim e Manjerona, As Variedades de Proteu, O Labirinto de Creta e O Precipício de Faetonte. Diz-se que compôs sete Óperas, que foram representadas com grandes marionetas, no Teatro do Bairro Alto em Lisboa entre 1733 e 1739. A sua obra mais importante é o sacro Te Deum a 20 vozes. As suas obras sacras estão no Arquivo da Patriarcal.
Músicos do Tejo
Agrupamento fundado em 2005 e dirigido por Marcos Magalhães e Marta Araújo, tem desenvolvido um percurso assinalável no panorama europeu da música antiga. O seu trabalho tem sido orientado por dois eixos complementares: dar a conhecer obras do património musical português inéditas ou pouco acessíveis; e desenvolver projetos inovadores e transdisciplinares com artistas atuais, com vista a refletir criativamente sobre a música e o seu papel na sociedade de hoje.
No seu já extenso percurso, Os Músicos do Tejo produziram cinco óperas em parceria com o Centro Cultural de Belém, apresentaram-se em inúmeros concertos em Portugal e no estrangeiro, e gravaram seis CDs. São de destacar, também, programas de concerto fora dos modelos convencionais que cruzam a música com o teatro, história e literatura.
Ficha artística
Os Músicos do Tejo
Direção Marcos Magalhães e Marta Araújo | Direção musical Marcos Magalhães | Direção artística Marta Araújo
Elenco
Dom Gil-Vaz: Marco Alves dos Santos
Dom Fuas: Rodrigo Carreto
Semicúpio: João Fernandes
Dona Clóris: Joana Seara
Dona Nize: Luísa Cruz
Sevadilha: Catarina Wallenstein
Fagundes: Carla Vasconcelos
Dom Lancerote: Luís Rodrigues
Dom Tibúrcio: António Machado
Direção de atores luísa cruz
Orquestra
Violinos: Nuno Mendes (concertino), Raquel Cravino, Lígia Vareiro, Álvaro Pinto, Denys Stetsenko e Maria Bonina
Violas: Pedro Braga Falcão e João Abreu
Violoncelos: Ana Raquel Pinheiro e Pedro Massarrão
Contrabaixo: Pedro Wallenstein
Trompas: Pedro Pereira e Armando Martins
Oboé: Pedro Castro
Guitarra portuguesa: Miguel Amaral
Cravo: Marta Araújo
Edição de Márcio Páscoa, com reconstrução das partes vocais masculinas de Marcos Magalhães. Gravado ao vivo entre 10 e 13 de dezembro de 2021 no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém .
Direção da gravação e pós-produção: pierre lavoix
Direção artística da gravação: alexandre delgado
Material e assistência técnica: Lourisom
Os Músicos do Tejo são apoiados pela Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa.
Esta obra já está disponível na loja online.