Prova de impressão de um cartão-bilhete para acesso ao sarau solidário a favor das vítimas das inundações.
O inverno de 1912 foi particularmente chuvoso e marcado por várias tempestades, com consequentes inundações, cujos efeitos se fizeram sentir entre as populações mais vulneráveis. Em fevereiro, o temporal que assolou o território português foi considerado o mais violento em 40 anos, registando ventos de mais de 100Km/h. A subida do rio Tejo foi especialmente destrutiva para as populações de Santarém e Azambuja, cujos prejuízos foram incalculáveis.
Os efeitos das inundações registados pela revista O Occidente, n.º 1193, de fevereiro de 1912, p.36.
Perante o número de vítimas da intempérie, a solidariedade não demorou a fazer-se sentir. Pelos teatros e salões de baile fizeram-se coletas, pelas instituições públicas organizaram-se eventos de apoio. Também o governo da República mandou abrir um crédito extraordinário, por lei de 12 de fevereiro, para apoiar os mais atingidos pela destruição das águas.
Fotografia de Nuno Silva (INCM). Coleção Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
Entre os estudantes do Instituto Superior Técnico, criado no ano anterior, promoveu-se um sarau em benefício das vítimas no Teatro Nacional Almeida Garrett — designação dada ao Teatro D. Maria II entre 1910, após a implantação da República, e 1939.
A memória deste gesto ficou guardada na biblioteca da Imprensa Nacional, onde se encontra esta prova de impressão de um pequeno cartão de acesso à 3.ª ordem do teatro.