Obra de José Maria de Campos Melo, prefaciada por Dom Luís de Castro e publicada por F. França Amado, Coimbra, em 1907.
José Maria de Campos Melo (1874-1924) pertenceu à família Campos Melo, responsável, desde meados do século xıx, pelo forte desenvolvimento da indústria têxtil da Covilhã.
Foi autor, além deste Lãs e lanifícios, do Manual do Fabricante de Tecidos, de 1900, e Matérias Primas e As Estrangeirices e a Indústria Nacional, ambos publicados em 1915 pela Imprensa Nacional que, em 1917, editou ainda o seu Projecto de remodelação e reorganização da escola industrial de Campos Melo, na Covilhã.
Esta obra, que compreende um estudo sistemático das fibras têxteis e respetivos processos de fabrico, reflete a preocupação central de Campos Melo relativamente à incipiente indústria portuguesa: a necessidade de reforma e adaptação do ensino técnico com vista ao desenvolvimento industrial. Preocupação que destaca nas primeiras linhas das suas «Primeiras considerações», ao criticar a «absoluta ausência do ensino técnico e profissional» no nosso país, bem como a falta de proteção estatal das «indústrias nacionais e a falta de crédito industrial». O trabalho foi, no mesmo sentido, dedicado pelo autor a seus pais, Maria da Luz e José Maria Veiga da Silva Campos Melo (1840-1890), principal impulsionador do ensino técnico na Covilhã e fundador da Escola Industrial.
No seu prefácio, também Dom Luís de Castro esclarece sobre o duplo valor da obra: «E se o livro interessantíssimo e tão proveitoso, que vai ler-se […] é sobretudo o que entre nós se chama um trabalho prático, isso não impede que, atingindo a máxima utilidade técnica e económica, seja também com suas plantas e seus animais, com seus processos de preparação e fabrico, com os produtos que daí resultam […]».
Este exemplar, encadernado e ilustrado, foi oferecido à biblioteca da Imprensa Nacional em julho de 1924, na mesma ocasião da sua abertura oficial ao público.
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Fotografias de Nuno Silva (INCM). Coleção Imprensa Nacional-Casa da Moeda.