História da Aula de Gravura e tórculo da Imprensa Nacional.

  • Referência
    COSTA, Mário, «O Banco de Lisboa no Edifício dos Paços do Concelho», Revista Municipal, n.º 96, 1.º trimestre de 1963, pp.17-39.
Assunto

Referências à Aula de Gravura, ao gravador e mestre Gregório Francisco de Queirós e ao empréstimo de uma prensa ao Banco de Lisboa pela Imprensa Nacional.

Ficha

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Também trabalhou para o Banco de Lisboa, Gregório Francisco de Queirós – considerado o “maior artista português na arte de abridor”, produzindo alguns desenhos de notas.
A sua obra gravada é vasta e variada, como diz, com a sua reconhecida autoridade, o mestre competentíssimo, Senhor Ernesto Soares, que do artista deu uma extensa resenha histórica, seguida da lista dos seus numerosos trabalhos. Encontrou-se com Domingos António Sequeira em Londres, tornaram-se amigos, retrataram-se mutuamente e vieram trabalhar em conjunto. A gravura de A Sopa dos Pobres, de extensa vulgarização, e que aquele notável artista desenhou, também é devida à autoria de Queirós.
Gregório Francisco de Queirós, foi primeiramente discípulo da Aula Régia de Gravura, dirigida por Carneiro da Silva, e mais tarde da de gravura a água-forte de Jerónimo de Barros Ferreira, tendo sido mestre na Aula de Desenho, gravura e escultura, da direção de Duarte José Fava. Em Londres, tendo recebido lições de Francisco Bartolozzi, substituiu este, por sua morte, em 1815, como Mestre de Desenho e Gravura, na Aula de Gravura da Imprensa Régia. Usou também os nomes de Gregório Francisco de Assis, Gregório Francisco de Assis Gonella e Gregório Francisco de Assis Queirós e obteve carta de nomeação de Cavaleiro da Ordem de Cristo, com isenção de provanças. Nasceu a 4 de Janeiro de 1768, na casa de seus pais, à Rua do Poço dos Negros, e faleceu a 29 de Março de 1845, na sua residência na Rua da Madre de Deus, n.º 45, no estado de casado, tendo deixando um filho de nome Gregório José de Queirós.
Como não obtivesse a tempo a satisfação da encomenda da indispensável máquina de estampar – um tórculo que mandara fazer a Jacob Bernardo Haas – a Direção do Banco recorreu à Imprensa Nacional, por intermédio da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, para o empréstimo temporário de uma prensa de igual tipo, obra do mesmo fabricante, que ali se encontrava fora de uso e já servira na oficina de Bartolozzi, o grande gravador florentino que trabalhou muitos anos em Portugal, e foi em 1802 contratado por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, como mestre de gravadores da Imprensa Régia, e aqui faleceu em 1815.
Quer dizer, as primeiras notas do Banco de Lisboa foram estampadas no tórculo daquelas oficinas do Estado, visto o mesmo só ter sido restituído em 13 de agosto de 1822, por envio direto ao respetivo diretor, quando o Banco já estava de posse da máquina encomendada, que importou em Réis 408$000.
O antigo tórculo da Imprensa Nacional ainda hoje serve na oficina de litografia. Possui as iniciais do fabricante – J.B.H. – e é todo de madeira. Tem dois cilindros, que trabalham no sentido da calandra, intercalando uma prancheta sobre a qual se coloca a chapa de cobre gravada, da qual se pretende tirar provas.
Jacob Bernardo Hass, de nacionalidade alemã, era considerado um hábil artista e maquinista. Foi o primeiro mestre da fábrica e oficina de instrumentos matemáticos e meteorológicos instalada na Cordoaria Nacional em 1813, no ano de 1862 transferida para o Arsenal de Marinha, ocupando o pavimento superior do edifício da Escola Naval e que em 1884 passou para uma casa no terraço da Sala do Risco.
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