A obra Oeiras, Algés, Dafundo – Terra de Pretos, da autoria do são-tomense Orlando Piedade, é a vencedora da 1.ª edição do Prémio Literário INCM/Almada Negreiros, galardão instituído pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM).
De acordo com o júri, composto por Inocência Mata (presidente), Afonso Reis Cabral e , a distinção atribuída ao trabalho de Orlando Piedade «justifica-se pela solidez da sua construção narrativa, maturidade estética e forte relevância histórica e identitária. Ao longo de cinquenta capítulos coerentemente articulados, o romance equilibra densidade temática e qualidade literária, transformando o território em espaço simbólico de memória e representação».
O júri salienta ainda que «ao recuperar vivências marginalizadas e converter o Convento da Cartuxa de Laveiras – ligado à figura de D. Simoa Godinho – em matéria literária universal, a obra afirma-se pela consistência temática, segurança estilística e verosimilhança narrativa, destacando-se como a proposta literariamente mais significativa entre as analisadas».
Além do prémio pecuniário no valor de 5 mil euros, o vencedor terá o seu texto publicado pela Imprensa Nacional, chancela editoria da INCM.
Orlando Piedade nasceu em São Tomé, em 1974. É mestre em Engenharia Informática pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e licenciado em Informática de Gestão pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, desenvolvendo a sua atividade profissional na área de Business Intelligence.
Na literatura, dedica-se ao romance histórico, explorando episódios silenciados ou marginais da história portuguesa. Estreou-se em 2011 com O Amor Proibido (Editora Colibri), obra centrada na colonização de São Tomé e Príncipe. Seguiu-se Os Meninos Judeus Desterrados (2014, Editora Colibri), romance distinguido com o Prémio Literário Francisco José Tenreiro 2015, que recria a deportação de cerca de duas mil crianças judias para as ilhas em 1493.
Em 2018, publicou Escravos e Homens Livres, o seu terceiro romance, uma obra de inspiração histórica centrada na vida dos africanos em Lisboa após a abolição da escravatura, decretada pelo Marquês de Pombal em 1773, onde se revelam as contradições sociais e humanas do império português no período pós-esclavagista.
Nesta edição inaugural do Prémio Literário INCM/Almada Negreiros, o júri atribuiu ainda uma menção honrosa ao trabalho De Vento em Polpa, da autoria de Lara Guimarães, «pela originalidade da sua voz e pela maturidade formal», sublinhando que esta obra se destaca «pela consistência estética e pela qualidade da sua linguagem, espelhando uma identidade singular que se debruça sobre a infância, os anos de formação, os amores, as bases da vida adulta e uma busca de sentido cuja âncora sensorial tem um papel de destaque. Trata-se de uma obra de forte densidade literária».
O Prémio Literário INCM/Almada Negreiros, dirigido a cidadãos são-tomenses ou estrangeiros a residir em São Tome e Príncipe há pelo menos 5 anos, visa distinguir trabalhos inéditos no domínio da prosa, incentivando desta forma a criação literária são-tomense.