No «berço» da tipografia: a história de um incunábulo
Publicado a 29 Nov, 2024 - 11:09
Edição de 1472 de Etymologiae, de Isidoro de Sevilha.
A designação «incunábulo» é dada aos livros impressos nos primeiros anos da tipografia desenvolvida por Gutenberg, sensivelmente entre 1455 (data aproximada de impressão da Bíblia de Gutenberg) e o início do século XVI. A sua denominação tem origem no latim in cuna (no berço), em alusão, justamente, ao nascimento da tipografia. Estes primeiros livros impressos caracterizam-se ainda pela sua proximidade gráfica das obras manuscritas, depois progressivamente alterada pela introdução da gravura e de outras técnicas de composição e impressão.
Esta edição de 1472 inclui um mapa estilizado («MapaT-O») que representa o mundo dividido em três continentes, Ásia, África e Europa, refletindo a conceção europeia do mundo antes da chegada dos europeus ao continente americano.
O acervo da biblioteca da Imprensa Nacional inclui três incunábulos, entre os quais se encontra um volume de Etymologiae (Etimologias), da autoria de Santo Isidoro de Sevilha (c.560-636), que corresponderá à primeira enciclopédia da cultura cristã ocidental e referência maior da educação ocidental. A obra foi transcrita durante a Idade Média, chegando depois à impressão pela mão do editor Günther Zainer, em 1472, com sucessivas reimpressões noutros prelos até 1530.
Estas Etimologias (ou As Origens) representam a síntese do conhecimento da época, da gramática à filosofia, da medicina às religiões, da jurisprudência ao conhecimento do mundo natural e do universo, partindo dos textos de autores greco-romanos.
Tanto quanto se sabe, este exemplar terá sido adquirido pela Imprensa Nacional, segundo o Livro de Inventário Geral, em fevereiro de 1869, provavelmente destinando-se não só a valorizar o acervo da biblioteca, mas também a enriquecer o ensino na escola de composição. Com a construção da nova biblioteca, em 1923, foram organizados catálogos gerais e especiais, estes últimos incluindo os «incunábulos, reservados e manuscritos», além de «obras clássicas portuguesas», «camoniano» e «gráfico».
Atendendo à sua antiguidade e raridade, a consulta desta obra na biblioteca é restrita.
Fotografias de Nuno Silva (INCM). Coleção Imprensa Nacional-Casa da Moeda.