Compêndio e sumário das festas e diversões ordenadas pela escola-oficina n.º 1 […], Imprensa Nacional, 1914.
Criada por impulso do pedagogo Adolfo Lima, num contexto de amplo debate sobre o papel da escola e da instrução, e cruzando linhas de pensamento maçónicas, republicanas e anarquistas, a Escola Oficina n.º 1 de Lisboa funcionou entre 1905 e 1987. Durante o Estado Novo, os elementos mais inovadores e experimentais deste projeto foram profundamente condicionados, adaptando-se a escola oficina ao sistema mais tradicional de ensino.
O modelo desta escola oficina, vocacionada para o ensino da carpintaria e da marcenaria, assentava nos princípios da Educação Nova, promovendo práticas como a autoeducação e a valorização da educação física e artística, numa perspetiva de educação integral. A partir de 1913, a escola abriu portas à coeducação, com a participação de rapazes e raparigas nas aulas de carpintaria e de marcenaria mas também nas de costura e de culinária.
Em 1914, por ocasião das festividades dedicadas pela escola à Sociedade de Estudos Pedagógicos (fundada em 1910 com a vocação de estudar os problemas educativos e os métodos pedagógicos mais inovadores), a Imprensa Nacional publicou este Compêndio e sumário. A edição, que parece inspirada no estilo editorial do final do século xvııı, reuniu o elenco de atividades compostas por um «serão de sábado», realizado em 4 de julho do «ano quarto da República Lusitana», e por uma «jornada de domingo seguinte». O pequeno livro foi «dado à estampa na escola de composição da Imprensa Nacional», com o importante contributo do «contramestre Miguel Gomes assistido dos aprendizes José de Melo Soares e Salvador Ribeiro de Mendonça».
Pela Imprensa Nacional, foi também publicado o Boletim da escola-oficina n.º 1, em continuação da revista de pedagogia Educação: revista quinzenal de pedagogia .
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Fotografias de Nuno Silva (INCM). Coleção Imprensa Nacional-Casa da Moeda.