Detalhes de documento

  • Arquivo
    INCM/Arquivo Histórico da Imprensa Nacional
  • Cota
    055
  • Tipo de documento
    Ofício
  • De:
    Administrador Geral da Imprensa Nacional
  • Para:
    Ministro do Reino
Transcrição

“Ill.mo e Ex.mo Snr. Agora acabo de ler no Diário do Governo da data de hoje um anuncio em que se poem a concurso a impressão do mesmo Diário. Não é minha intenção apresentar-me como corrente, por que os proprietários assas conhecem pela experiencia de muitos anos os termos porque se tem até agora executado aqui esta empresa, e eu não posso nem devo diminui-los. Não perde directamente nada esta oficina com a não impressão dos Diários, porque alem das despesas extraordinárias que com eles se fazem resulta sempre um [?] diário muito pesado e um risco sempre iminente. O incomodo consiste em estar esta oficina aberta toda a noite, e o perigo iminente é poder haver um fogo em um edifico tal como este, onde está depositada tanta riqueza. Em consequência deste incomodo e deste risco cresce a despesa não só no muito azeite que se gasta e se extravia com as sou agora luzes em toda a noite mas dois tostões diários que sou agora obrigado a pagar a um segundo porteiro nocturno, depois que por falta da tropa de linha da Capital já aqui não há a Guarda Militar do costume. Nestes termos pouco importa que os proprietários do Diario vão encomendar a sua obra a outra oficina, mas a este respeito é do meu dever, como zelador desta casa, e da honra do Governo, expor a V. Ex.ª algumas reflexões. O que torna interessante o Diario é ser ele o deposito primário de todas as leis assim como de todos os Decretos, e regulamentos do Governo: sendo isto assim é do meu dever propor a V. Ex.ª , que no caso de se ir imprimir o Diario em outra oficina, fique sempre esta destinada para ser a primeira que imprima e publique todas as peças oficiais das Camaras e Governo. V. Ex.ª sabe muito bem que em Inglaterra o Governo tem uma Gazeta = a Gazeta de Londres para exclusivamente publicar todas as peças oficiais, e que só depois de ali publicadas e que os outros jornais as transcrevem; faça-se pois o mesmo aqui, e tenha o Governo uma Folha que saindo duas ou três vezes por semana, contenha somente as peças oficiais, porque nem sempre é prudente que em uma Gazeta só deve exprimir o pensamento e actos do Governo se leiam uma e muitas vezes opiniões que não são, nem convem que sejam as do mesmo Governo. Concluo enfim, que na minha opinião não seria airoso para V, Ex.ª, que tem à sua disposição esta oficina e é dela Inspector , ordenar ou permitir que em outra se fossem primeiramente imprimir e publicar as peças oficiais, porque neste caso o Governo seria aquele mesmo que desacreditava a sua propriedade, para dar valor a de estranhos. E quem é o dono da casa que julga útil desacreditar-se para acreditar um vizinho. Creio que nenhum e muito menos V. Ex.ª, em quem eu conheço todo o patriotismo, e zelo pela honra Nacional e Fazenda Pública. Estas são as reflexões que julguei do meu dever expor a V. Ex.ª as quais dará o peso e valor que lhe parecer (…) Lisboa 22 de Dezembro de 1836 = Ill.mo e Ex.mo Snr. Manuel da Silva Passos = Secretaria de Estado dos Negócios do Reino = José Liberato Freire de Carvalho” (pp. 23-24)

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Artista florentino, foi gravador e mestre da Escola de gravura da Impressão Régia. Destacou-se pela técnica de gravação "pontilhada”.