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Carlo Arrigoni sobre «De Lisboa às Serras. A Evolução de Eça de Queiroz», de Philipp Kampschroer

Coleção Temas Portugueses Eça de Queiroz Philipp Kampschroer

Este texto, da autoria Carlo Arrigoni, resultou da sua apresentação sobre a obra De Lisboa às Serras. A Evolução de Eça de Queiroz, de Philipp Kampschroer que teve lugar na Biblioteca da Imprensa Nacional, a 14 de janeiro de 2026.

Philipp Kampschroer percorre as várias fases da obra de Eça de Queiroz a partir dos lugares em torno dos quais se desenrolam os romances e os contos do autor. Lugares que não são meros cenários ou simples paisagem: em Eça, as entidades geográficas são também, ou sobretudo, entidades ideológicas, carregadas de significados, sobre os quais reflectem constantemente personagens e narradores por vezes pouco fiáveis. Mais ainda: já a partir do título, o livro sugere que o itinerário da obra de Eça se pode ler como a história de um deslocamento de um lugar para outro, análogo aos deslocamentos de muitos, quase todos, os protagonistas dos seus romances. O volume abre com uma comparação entre O Primo Basílio, que começa com a chegada da personagem homónima a Lisboa, onde cedo constatará a dificuldade em encontrar boas asas de perdiz e garrafas de champanhe bem frias, e A Cidade e as Serras, em que Jacinto, ao mudar-se de Paris para o Norte de Portugal, descobrirá frangos assados nada menos do que divinos. Kampschroer propõe-se, assim, compreender “o significado do trajecto que leva a obra de Eça de Queiroz dos adultérios fatais e da carência culinária aos matrimónios revitalizantes e aos entusiasmos do paladar”.

Ao reconstruir a evolução de Eça, o volume analisa minuciosamente alguns textos-chave da crítica portuguesa sobre o autor, desde os estudos de António José Saraiva, João Gaspar Simões e Mário Sacramento até aos mais recentes. Importa sublinhar, em particular, a influência do ensaio de Sacramento, Eça de Queiroz: Uma Estética da Ironia, ao qual Kampschroer dedica o quarto capítulo, mas com o qual estabelece um verdadeiro diálogo ao longo de todo o livro.

Gostaria de tentar delinear alguns dos pontos principais da evolução de Eça que o autor analisa.
O livro acompanha a evolução d’O Crime do Padre Amaro desde a versão publicada sem a aprovação de Eça na Revista Ocidental em 1875, passando pela edição em volume do ano seguinte, até à edição definitiva de 1880. A reescrita do romance é considerada “um episódio fulcral na carreira do escritor”. Defende-se que as refundições d’O Crime do Padre Amaro revelam a progressiva separação de Eça da influência de Flaubert e do naturalismo francês, e a primeira afirmação de uma estética nova. No primeiro capítulo, a análise das diferentes versões do romance visa mostrar uma evolução na forma como Eça descreve a paisagem, isto é, uma tendência progressiva para privilegiar a perspectiva subjectiva das personagens sobre o ambiente, em detrimento de uma perspectiva objectiva ou externa, que ainda encontramos na primeira edição. Esta mudança permite a Eça dramatizar o cenário e, através do cenário, transmitir a vida sentimental das personagens. Uma tendência que reencontramos tanto n’O Primo Basílio como n’Os Maias, mas que já estava presente em Singularidades de uma Rapariga Loura, considerada a primeira grande obra de Eça – e também o primeiro conto a opor Lisboa às serras, neste caso o Minho, mostrando como as serras, em Eça, existem sempre em oposição à cidade. No livro defende-se que O Crime do Padre Amaro publicado em revista é uma obra anacrónica; que, sem a sua publicação não autorizada pelo autor, não teria existido sequer a edição de 1876; e que, provavelmente, Eça teria abandonado o projecto, fazendo do Crime um livro escrito para ajustar contas com o naturalismo francês, em busca da sua própria voz, e depois não publicado, como acontecerá com Alves e Companhia ou A Capital.

Segundo Kampschroer, O Primo Basílio representa um afastamento adicional das preocupações naturalistas, reservando pouco espaço à formação das personagens, ao passo que, n’O Crime do Padre Amaro, os retratos psicológico-fisiológicos das personagens já contêm todos os desenvolvimentos do enredo do livro. N’O Primo Basílio, a tragédia, como notava já Sacramento, acontece por acaso: devido ao achado das cartas de Basílio por Juliana, a criada de Luísa. Além disso, este romance de adultério coloca a questão da culpa em segundo plano e não oferece uma lição moral clara relativamente à vida familiar, afastando-se do modelo de romance-tese a que, segundo Kampschroer, O Crime do Padre Amaro se conforma.

Mais importante ainda, com a chegada de Basílio a Lisboa, vindo de Paris, um dos temas centrais do romance torna-se a oposição entre as duas cidades: Paris, moderna e civilizada, e Lisboa, provinciana e tosca. Uma oposição que se manifesta nas palavras das personagens: do próprio Basílio e do seu amigo Reinaldo. Enquanto, como é sabido, cabe ao conselheiro Acácio construir uma contra-narrativa que defende a honra da capital portuguesa.

No segundo capítulo, Kampschroer identifica os primórdios desta estrutura bipolar em alguns escritos de Eça de 1866-67 na Gazeta de Portugal, onde é visível a tendência para associar à vida das pessoas determinadas características nacionais, e, sobretudo, no primeiro projecto de romance de Eça, A Morte de Jesus. Aqui, a oposição entre Jerusalém e a Galileia – que se configura também como um conflito entre elite e povo, arrogância e bondade, impiedade e religiosidade, etc. – antecipa a oposição entre cidade e campo que encontramos nas obras posteriores. Uma dialéctica entre província e capital está também presente n’O Crime do Padre Amaro, em particular na edição definitiva de 1880, e n’A Capital. Mas este paradigma balzaquiano, defende-se no livro, é pouco adequado ao contexto a que é aplicado e, por isso, é depois reformulado por Eça, que não por acaso abandona A Capital: da oposição província/capital passa-se à oposição Portugal/Europa, tal como n’O Primo Basílio.

Neste romance, os discursos que opõem Lisboa a Paris, assim como as personagens que os formulam, são, por um lado, objecto de sátira, por outro, contribuem para a crítica feroz de uma sociedade lisboeta vazia e entediante. A Lisboa d’O Primo Basílio é um ambiente, no mínimo, desagradável: é claustrofóbica, povoada por pessoas coscuvilheiras e maldosas que observam obsessivamente os protagonistas e lhes controlam os movimentos – uma cidade sufocante para Luísa, que nunca consegue sair dela. Os discursos de Basílio sobre Lisboa e Paris têm efeitos sobre Luísa, que combina ao fascínio pelo primo o fascínio pelo mundo em que ele vive. Uma característica fundamental das obras de Eça, discutida no livro, é precisamente esta permeabilidade do cenário principal: a intrusão de um outsider que traz para o lugar onde decorre o romance discursos sobre outros lugares.

De facto, nas obras de Eça das décadas de 1870 e 1880, Portugal é representado como um lugar onde chegam constantemente pessoas de fora: aparições inesperadas, intrusões nefastas. Este é um fenómeno analisado em detalhe no terceiro capítulo do livro e que se vê magistralmente n’Os Maias. No romance, a acção é instilada e renovada pela chegada, do estrangeiro, de personagens que animam uma Lisboa marcada pela letargia e pela inércia, expressão da apatia que Eça – e não só – atribuía à vida política nacional. Em certa medida, estas intrusões entregam ao acaso o desenvolvimento do enredo. É um romance de encontros reveladores que atentam contra a verosimilhança da história. Eça explora mecanismos típicos do género romanesco, afastando a sua obra dos modelos franceses.

Também n’Os Maias, algumas personagens, a começar por Carlos, opõem o suposto provincianismo português ao cosmopolitismo de Paris. E também n’Os Maias continua a crítica de costumes presente nos romances anteriores. Mas Lisboa é muito mais agradável e afável do que n’O Primo Basílio. E, além disso, sai-se de Lisboa: n’Os Maias encontramos paisagens rurais descritas extensamente, a residência de Santa Olávia e, sobretudo, Sintra. O capítulo oitavo inclui “as descrições mais extensas e mais sofisticadas de paisagens nacionais em toda a obra queiroziana”.

Os Maias é definida como uma “obra de charneira”: reencontramos os habituais heróis medíocres, mas estes, já não membros das classes médias, inspiram simpatia; e podemos identificar no romance “um novo carinho por Portugal, que resiste a toda a crítica social levada a cabo”, que antecipa as obras escritas nos na década de 1890. Não é apenas o último romance publicado em vida: é também o último romance lisboeta. A partir deste momento, terminam as histórias de intrusões e aumentam as histórias de mudanças, para o norte de Portugal (aquilo que o livro sintetiza como Serras), um fenómeno que, defende-se, corresponde a uma valorização do país. As personagens de Eça, habitualmente, não se sentem bem no lugar onde estão; nas obras tardias, as serras oferecem, segundo Kampschroer, uma solução possível.

O livro afasta-se das velhas leituras d’A Ilustre Casa de Ramires e d’A Cidade e as Serras como apologias dos autênticos e incorruptíveis valores do Portugal rural, aceitando as leituras que, de Sacramento até aos estudos mais recentes, puseram em evidência a ambiguidade como característica principal das obras escritas na década de 1890 – histórias frequentemente contadas por narradores distraídos, ineptos, ou grosseiros, seja como for, pouco fiáveis. Ao mesmo tempo, porém, Kampschroer quer introduzir algumas correcções a essas leituras. Primeiro, analisa algumas cartas em que Eça revela uma aversão crescente tanto a Lisboa como a Paris, com a sua confusão “fabril”, e outras cartas em que o autor descreve de forma eufórica o norte de Portugal durante as visitas às propriedades da família da sua esposa. Depois, Kampschroer passa em revista uma série de artigos escritos no final dos anos 80 e nos anos 90, nos quais Eça fala de forma benevolente da Casa Real, de figuras da alta aristocracia e do clero e, ao mesmo tempo, revela um medo crescente de uma revolução social. Oliveira, n’A Ilustre Casa de Ramires, e Tormes, n’A Cidade e as Serras, não são lugares perfeitos, imunes às mexeriquices e às calamidades naturais; mas aqui, ao contrário de Paris, reina a harmonia entre nobres caritativos e trabalhadores tranquilos. Argumenta-se também que, embora a tecnologia não seja totalmente rejeitada n’A Cidade e as Serras, o romance mostra uma profunda aversão ao impacto da revolução tecnológica que relembra algumas cartas de Fradique e até certas Prosas Bárbaras que tinham como alvo polémico a industrialização e a burguesia. Os sentimentos antiburgueses são considerados um elemento de continuidade, tão fortes na década de 1860 como no final da década de 1890. A última parte da evolução de Eça não contradiz a produção anterior. Em suma, Kampschroer conclui que, nas últimas obras do autor há uma “revalorização inegável de Portugal”. “Lisboa e Serras”, como diz a última frase do livro, “são também, respectivamente, formas de falar mal e falar bem de Portugal”.

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